Mais de 500 restos humanos foram localizados numa vala comum no Cemitério do 14, em Luanda, no âmbito das investigações relacionadas com os acontecimentos de 27 de Maio de 1977, anunciou esta sexta-feira o ministro da Justiça e dos Direitos Humanos, Marcy Lopes.
O governante, que coordena também a Comissão para a Implementação do Plano de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos (CIVICOP), explicou à Televisão Pública de Angola (TPA) que a descoberta é resultado de cinco anos de buscas e pesquisas realizadas com apoio de diferentes tecnologias e equipamentos especializados.
Segundo Marcy Lopes, os restos mortais encontrados serão submetidos a exames laboratoriais para confirmação das identidades, permitindo apoiar as famílias no reconhecimento dos seus familiares desaparecidos.
De acordo com informações avançadas pela CIVICOP e divulgadas pelo Novo Jornal, será publicada uma lista na Unidade Central de Criminalística, em Luanda, bem como noutras províncias do país, para facilitar a recolha de amostras de ADN dos familiares que pretendam realizar testes de compatibilidade genética.
Criada em 2019, a CIVICOP tem como missão localizar ossadas, identificar vítimas e promover iniciativas de memória e reconciliação ligadas aos conflitos políticos ocorridos em Angola entre 11 de Novembro de 1975 e 4 de Abril de 2002.
Segundo dados já divulgados pela comissão, desde 2021 foram exumados restos mortais de 316 vítimas em oito províncias do país. No mesmo período, foram emitidas 3.248 certidões de óbito, enquanto cerca de 500 famílias continuam com reclamações activas relacionadas com desaparecimentos.
Os acontecimentos de 27 de Maio de 1977 continuam a representar um dos episódios mais sensíveis da história contemporânea de Angola. O episódio ocorreu após uma alegada tentativa de golpe de Estado contra o então Presidente Agostinho Neto, tendo sido violentamente reprimido com apoio de tropas cubanas.
A repressão resultou na detenção, desaparecimento e morte de milhares de pessoas, num contexto de confrontos internos no seio do MPLA, embora o número exacto de vítimas nunca tenha sido oficialmente determinado.
Fonte: Sic Notícias / Novo Jornal
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