O garimpo clandestino de ouro em Angola continua a crescer a um ritmo preocupante. Em várias províncias do país, milhares de cidadãos, sobretudo jovens sem oportunidades de emprego, veem na exploração ilegal do ouro uma alternativa rápida para escapar à pobreza. No entanto, a realidade mostra que os maiores beneficiários desta actividade raramente são os garimpeiros que passam horas a escavar a terra em condições precárias.
Quem mais lucra são os intermediários, compradores ilegais e redes de contrabando que controlam a comercialização do minério e o fazem sair do país de forma clandestina. Enquanto isso, Angola perde anualmente cerca de 116,5 milhões de euros devido à exportação não declarada de ouro, segundo dados da Agência Reguladora do Ouro.
Com a cotação internacional do ouro a rondar os 4.340 dólares por onça troy (31,1 gramas), cada grama pode atingir aproximadamente 139 dólares no mercado internacional. Em moeda nacional, isso representa cerca de 116 mil kwanzas por grama de ouro 22 quilates e cerca de 127 mil kwanzas por grama de ouro 24 quilates. Trata-se de recursos financeiros significativos que poderiam ser canalizados para a construção de escolas, hospitais, infraestruturas e programas de geração de emprego.
Além das perdas económicas, os impactos ambientais e sociais são igualmente preocupantes. A exploração descontrolada compromete recursos essenciais à sobrevivência das comunidades, agravando problemas que deveriam ser combatidos. Em vez de promover desenvolvimento, o garimpo clandestino acaba frequentemente por gerar mais pobreza, criminalidade e instabilidade social.
Segundo noticiou a ANGOP, em abril de 2026, a actividade deixa um rasto de destruição, caracterizado por enormes crateras, abate indiscriminado de árvores e alterações nos cursos naturais dos rios, causando danos ambientais que podem perdurar durante décadas.
A solução para este fenómeno não passa apenas pela repressão aos garimpeiros. É fundamental atacar as causas profundas do problema, através da criação de empregos, do investimento na formação profissional da juventude, da legalização e organização da mineração artesanal onde for viável, bem como do reforço da fiscalização nas zonas mineiras.
Angola possui recursos naturais suficientes para garantir prosperidade à sua população. O verdadeiro desafio consiste em assegurar que essas riquezas sejam geridas com transparência, responsabilidade e em benefício de todos os cidadãos, e não apenas daqueles que operam à margem da lei.
Texto: Adérito Fernandes
















