A obra O Abraço Morno dos Muros, da escritora brasileira Wlange Keindé, será apresentada ao público durante a Bienal do Livro da Bahia, em abril de 2026, no Brasil.
Lançado originalmente em 2025 pela editora Touché Livros, o romance foi semifinalista da 1.ª edição do Prémio Kindle Vozes Negras, destacando-se como uma das obras mais relevantes da nova literatura contemporânea.
A narrativa decorre em Tabaíba do Vale, uma cidade fictícia no interior do Rio de Janeiro, e acompanha a vida de duas jovens — Celina e Bárbara — que enfrentam os limites impostos por contextos sociais e emocionais complexos. Entre relações intensas e ambientes marcados por violência, vícios e inseguranças, a obra mergulha em temas como liberdade, pertencimento, saúde mental e os desafios das relações afetivas.
Celina vive presa a uma rotina que não escolheu, enquanto Bárbara, em processo de recuperação do alcoolismo, carrega traumas de um passado difícil. A convivência entre ambas constrói uma relação profunda e ambígua, onde afeto e dor coexistem, levando as personagens a questionarem o verdadeiro significado de “lar”.
A obra destaca-se pela abordagem sensível e realista de temas como violência doméstica, desigualdade social e os dilemas da juventude, sem romantizar os conflitos vividos pelas protagonistas.
Wlange Keindé, nascida em 1997, é cientista social, mestre em Teoria da Literatura e criadora do canal Ficçomos, um dos maiores do Brasil dedicados à escrita. A autora já foi distinguida com o Prémio Carolina Maria de Jesus (2023) e o Prémio Wattys, consolidando-se como uma voz relevante na literatura contemporânea.
“O Abraço Morno dos Muros” apresenta-se como um retrato profundo de jovens mulheres que tentam encontrar espaço para existir em meio a estruturas que, ao mesmo tempo que acolhem, também aprisionam.
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