Artista angolana Irene A’mosi apresenta obra “Geografia do Corpo Esquecido” em Portugal

A artista angolana Irene A’mosi apresenta atualmente a sua obra “Geografia do Corpo Esquecido” em Vila Nova de Cerveira, Portugal, no âmbito da exposição colectiva “Transbordo – Luanda: de várias Luandas”.

A mostra decorre na Bienal de Cerveira, um dos mais reconhecidos eventos dedicados à arte contemporânea, reunindo artistas que exploram diferentes perspectivas sobre a cidade de Luanda.

Arte que questiona o apagamento social

Na obra “Geografia do Corpo Esquecido”, Irene A’mosi investiga de que forma o Estado e a organização do espaço urbano podem contribuir para o apagamento das lutas de sobrevivência de mulheres em situação de vulnerabilidade económica.

A proposta artística apresenta-se como instalação, performance e arquivo, explorando as formas como determinados corpos são invisibilizados nas narrativas oficiais da cidade.

Segundo a artista, o esquecimento não ocorre por acaso.

A obra sugere que certos corpos são sistematicamente removidos do mapa oficial urbano, mesmo continuando a existir, resistir e sustentar famílias e dinâmicas económicas nas cidades.

Símbolo de resistência

Um dos elementos simbólicos centrais da instalação é a rodilha — objeto tradicional utilizado para equilibrar cargas sobre a cabeça — que surge como metáfora de resistência, permanência e equilíbrio entre opressão e existência.

Entre chão e ar, corpo e fardo, o trabalho propõe uma reflexão profunda sobre memória, sobrevivência e invisibilidade social.

Exposição reúne vários artistas angolanos

A exposição tem curadoria de Edna Bettencourt e Paula Nascimento, integrando o programa “Territórios sem Fronteira (2025–2026)”, que propõe uma reflexão plural sobre as diferentes realidades de Luanda.

Além de Irene A’mosi, participam também na mostra outros artistas angolanos, entre eles:

  • Banga Coletivo

  • Dreça Manuel

  • Flávio Cardoso

  • Gegé M’bakudi

  • Lilianne Kiame

  • Magno Daniel

  • Resem Verkron

  • Vunda

  • Wyssolela Moreira

Cada artista apresenta uma leitura própria da cidade de Luanda, contribuindo para a construção de um mapa coletivo de experiências, memórias e resistências, que evidencia a diversidade cultural e social da capital angolana.

Fonte: 2 Contra 1

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