No encontro que assinalou os 50 anos da literatura moçambicana, realizado em Outubro de 2025, um momento especial marcou a trajectória artística de Selma Uamusse. A artista foi surpreendida por um convite feito de forma tímida e directa por um dos seus escritores preferidos, Mia Couto:
“Selma, eu sei que és muito ocupada, mas tu conseguirias encaixar na tua agenda a leitura de um livro meu?”
A resposta foi um “sim” carregado de emoção e responsabilidade.
Uma ligação antiga à escrita de Mia Couto
Selma Uamusse nunca escondeu a admiração pela obra de Mia Couto. A riqueza do português moçambicano, as personagens intensas, os diálogos carregados de simbolismo, a fusão entre prosa e poesia, o humor subtil, o sarcasmo, a espiritualidade e o retrato profundo do quotidiano sempre a magnetizaram.
Para a artista, Mia Couto é um escritor moçambicano que pertence ao mundo — uma voz literária universal com raízes firmes em Moçambique.
O desafio de dar voz a “A Cegueira do Rio”
O convite transformou-se numa experiência marcante: Selma deu vida à versão em audiolivro da obra A Cegueira do Rio, publicada pela Leya.
Segundo a própria artista, o processo foi intenso e profundamente emocional:
- Tremores e nervosismo;
- Momentos de silêncio e perda de voz;
- Risos e lágrimas;
- Uma imersão total nas personagens.
Apesar de se considerar adepta da leitura em papel, Selma defende que a tecnologia deve ser usada como ferramenta para democratizar o acesso à literatura. Para ela, o audiolivro pode ser um instrumento poderoso de inclusão e disseminação do conhecimento.
Uma produção de várias mãos
A artista fez questão de agradecer a Mia Couto pelo convite, à equipa da Leya pela produção e aos profissionais envolvidos na concretização do projecto, que tornou possível esta missão artística.
O audiolivro já se encontra disponível ao público, abrindo portas para que mais leitores — e agora também ouvintes — mergulhem no universo literário do autor moçambicano.
Literatura que atravessa fronteiras
Este marco representa não apenas uma conquista pessoal para Selma Uamusse, mas também um momento simbólico para a cultura moçambicana, onde música e literatura se cruzam numa celebração da identidade, da memória e da imaginação.
Uma experiência que convida todos a chegar perto, ouvir, sentir e partilhar.
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